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O DESAFIO DE VENCER A DESUNIÃO ENTRE AS MULHERES

June 6, 2017

Por: Faby Gino

 

"Que nada nos limite, que nada nos defina, que nada nos sujeite.

 Que a liberdade seja nossa própria substância, já que viver é ser livre....”

 

"O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos"

 

                                                                                                               Simone de Beauvoir           

 

                                                                  SORORIDADE

 

 

Embora não exista, oficialmente, na língua portuguesa, a palavra sororidade, comumente vinculada ao movimento feminista, tem sido amplamente divulgada e discutida na atualidade e significa nada mais do que a união e a aliança das mulheres que se unem por uma causa comum e maior.

 

No dicionário, a palavra que mais se aproximaria seria fraternidade, advinda do termo latino frater (irmãos), a qual, não por coincidência, significa tanto solidariedade de irmãos como harmonia entre os homens.

 

Do termo latino sóror (irmãs), tradicionalmente nenhuma palavra se originou subentendendo-se que desde a formação da língua portuguesa, relações harmoniosas e solidárias acontecem apenas entre os homens.

 

Assim; “A sororidade, ou harmonia entre as irmãs, enquanto termo e enquanto sentimento surge e se fortalece da necessidade das mulheres de compartilharem experiências subjetivas, a partir de relações positivas e saudáveis umas com as outras, formando e fomentando alianças pessoais, sociais e políticas, empoderando-se e criando elos importantes para combater e eliminar as diversas formas de opressão perpetuadas ao longo dos séculos pelo patriarcado”.

 

Embora SORORIDADE seja uma palavra ‘chique’ e atualmente um termo amplamente difundido, em minha opinião, temos restringido seu significado e subaproveitando seu alcance, pois, a meu ver, mais que ter empatia, união e interesses em comum, sororidade é conseguir olhar para outra mulher sem a lógica e os valores da sociedade patriarcal ainda arraigado à consciência das próprias mulheres.

 

Já dizia Martinho da Vila: Existem mulheres de todas as cores, de muitos amores. Mulheres atrevidas e acanhadas, mulheres ‘cabeça’ e desequilibradas, mulheres confusas, de guerra e de paz. Existem ainda as mulheres corajosas, mulheres destemidas, mulheres que ainda não descobriram sua coragem, mulheres 'patricinhas' e mulheres ‘mais macho que muito homem’. Enfim uma infinidade de mulheres em corpos diferentes e uma diversidade de mulheres habitando o mesmo corpo.

 

E é ai que reside a sororidade, quando eu reconheço na outra, na conhecida ou na desconhecida uma parte de mim, mesmo e principalmente as partes que às vezes eu não aceito, não admito nem admiro e justamente por esse motivo julgo na ‘companheira’(de gênero, de luta, de jornada, de ideal...).

 

Na minha concepção, sororidade é olhar para outras mulheres com a mente neutra e livre de julgamentos.

 

Mas como faremos isso se somos criadas em um mundo machista e nosso olhar está cheio de preconceito em relação às minorias e às diferenças?

 

Como alcançar a sororidade se nós fomos, culturalmente, moldadas para a desunião e desde criança, a mulher é apresentada como alguém que não merece a confiança de outra mulher?

 

Músicas, muitas vezes escritas e interpretadas pelas próprias mulheres, fazem apologia à ideia de que precisamos ser melhores que as outras, de que precisamos oprimir umas as outras e principalmente de que precisamos competir entre nós.

 

E continuamos dançando conforme a música tocada por uma sociedade que faz com que muitas vezes, adotemos posturas defensivas umas em relação às outras. E é aí que a “aliança” proposta pela sororidade é enfraquecida, já que não se sentindo parte de um todo, muitas mulheres acabam competindo entre si e abdicando da principal característica necessária para se construir a Sororidade que é enxergar-se na outra mulher. Reconhecer na outra nossas próprias dores, opressões, fraquezas, forças e virtudes.

 

Isso não quer, de maneira alguma, dizer que devemos ‘passar a mão’ na cabeça de outras mulheres, justificar suas faltas ou aplaudir suas falhas, mas sim que devemos respeitá-las como seres humanos, assim como nós, em luta com tudo o que foi desde a infância incutida em nossas cabeças e entender que, como nós mesmas, muito do que as outras mulheres fazem ou é mera reprodução do patriarcado e do que lhes foi, através dele, ensinado ou são tentativas, nem sempre bem sucedidas, de lutar contra ele. Ou seja de uma forma ou de outra agimos como meros joguetes da sociedade.

 

Somos vítimas dos nossos próprios preconceitos e reconhecer isso nos dá chance de melhorar muito as relações femininas e entender seus desafios por meio da compreensão mútua. E é aí que a sororidade funciona atuando na desconstrução da ideia de que mulheres são rivais, de que somos, uma ‘classe desunida’, oprimidas e opressoras ao mesmo tempo, pois como disse Simone de Beauvoir : “O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos" .

 

Embora sejamos criadas de forma a competirmos umas com as outras, nenhuma mulher nasce com o gene da desunião, portanto, esta não é uma realidade com a qual temos de nos conformar. Essa mudança só depende de nós. Precisamos começar já a trabalhar na construção de laços que nos aproxime e a criação desses laços se dá no dia a dia, com mulheres que fazem parte de nossas vidas, que cruzam nosso caminho e participam direta ou indiretamente da nossa rotina. Aprender com a outra, ajudar na desconstrução do machismo e colaborar para que fofocas e o hábito de julgar a outra sejam extintos é um ótimo primeiro passo. Não precisamos amar todas as mulheres nem ser ‘melhor amiga’ delas, isso não é sororidade assim como amar e respeitar apenas a irmã, a mãe ou a melhor amiga também não é.

 

O que precisamos é APRENDER a não julgá-las apenas porque são mulheres ou principalmente porque SÃO DIFERENTES de nós. “Na prática do dia a dia isto requer uma atenção constante, um olhar critico sobre nós próprias e sobre os nossos preconceitos”.

 

Não podemos caminhar juntas enquanto nos achamos superiores, umas em relação às outras, por usar ou não usar maquiagem, por vestir ou não vestir roupas curtas, por calçar ou não calçar salto alto, por fazer ou não fazer dieta, por ter ou não ter filhos, namorado, emprego, marido, vaidade e assim por diante.  Isso não é ser superior, são só diferenças, de caminhos, de gostos, de vida, cada uma de nós faz as suas escolhas e arca com as consequências delas.

 

 Nenhuma mulher é igual à outra, por mais que tenhamos as mesmas ideias, os mesmos valores, os mesmos gostos, os mesmos defeitos, conceitos e/ou preconceitos, SOMOS ÚNICAS, mas apesar e principalmente por causa disso, nenhuma de nós pode nada sozinha, porque, JUNTAS SOMOS MAIS, JUNTAS SOMOS MELHORES.

 

Então afinal o que é Sororidade? É individualmente reconhecer-nos como mulher, sendo capaz de ver também na nossa amiga / namorada / colega / vizinha / empregada / conhecida / desconhecida... Uma mulher, apesar das diferenças.  

 

Uma mulher que, assim como nós, possui desafios diários, que se assemelha a nós, por viver sob a opressão da mesma sociedade que se sente no direito de dizer o que podemos e devemos, ou não, fazer.

 

Enfim, SORORIDADE é o senso de companheirismo entre as mulheres que lutam, diariamente, as mesmas batalhas e que são mais fortes unidas na hora de lutarem pelo direito de dizer para a sociedade que: O LUGAR DA MULHER É ONDE ELA QUISER, como ela quiser e quando ela quiser!

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