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O DESAFIO DE CRIAR GUERREIROS NA ATUALIDADE

August 9, 2017

Por: Faby Gino

Esta semana recebi do meu primo, Gato e Comprometido, Gregory B. um vídeo de uma mãe incentivando seu filho, cego, de 3 anos a caminhar sozinho, subir uma escada, ir até a casa da avó e voltar trazendo para ela uma panela – Tarefa, para muitos pais, considerada complexa até pra uma criança que enxerga -https://www.youtube.com/watch?v=0WjbqImcdN0- então decidi colocar o texto que estava escrevendo 'no forno' pra falar sobre o DESAFIO DE CRIAR GUERREIROS no mundo atual.

 

O vídeo me chamou a atenção para a forma como muitas de nós, mães (e eu me incluo nisso em muitos aspectos) acabamos por limitar o desenvolvimento dos nossos filhos com nosso excesso de cuidados, exagero de zelo e overdose de preocupação. Com os inúmeros 'isso não pode', 'isso não deve', 'isso não convém' (geralmente ditados pela ordem social), terminamos muitas vezes por privar nossos filhos de realizarem suas próprias experiências e consequentemente impedimos que eles ‘enxerguem o caminho’.

 

Neste vídeo, a mãe acompanha à distância seu filho, deficiente visual e mantem-se em silêncio quando ele chama por ela. Vencendo o impulso que, como mães, sabemos que sempre  surge de pega-lo no colo, fazer a caminhada por ele. Com essa atitude, que imagino só Deus sabe o quanto custou ao seu coração, ela PROVOU, para ele e para nós, que seu filho é capaz de administrar a limitação imposta pela visão e também nos mostrou que é fundamental que os pais incentivem a autonomia de seus filhos para que eles tenham um desenvolvimento adequado independente dos problemas, que supomos, possam limitá-los.

 

Precisamos aprender a ensinar nossos filhos a vencer as barreiras impostas por suas limitações, a conquistar seus objetivos, a seguir apesar dos inevitáveis tropeços que encontrarem pelo caminho. Precisamos estimulá-los a saírem da zona de conforto a aprenderem a 'fazer acontecer' e para isso precisamos sair da NOSSA zona de conforto e fazermos ACONTECER. Precisamos criar 'guerreiros' conscientes e capazes de atuar no mundo, que saibam se posicionar diante da sociedade de forma a poder modificá-la - de preferência para melhor.  Precisamos aprender a ensinar nossos filhos a lidarem com suas emoções e sentimentos, a superarem suas dificuldades e vencer seus desafios. Enfim precisamos ensinar algo que nem nós sabemos ainda, o que para nós  é uma grande oportunidade de crescimento pois,  como disse a poetisa,  Cora Coralina, “Feliz é aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”.  E já dizia Paulo freire que “Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”. Só precisamos estar abertos e dispostos a isso.

 

No dia a dia, no entanto, o que presenciamos são filhos sendo cegados pela superproteção dos pais, tendo sua autoestima massacrada pelos medos e neuroses de seus genitores, suas potencialidades subestimas ou subaproveitadas.

 

Tornar um filho independente é um processo longo, que começa na infância, pra não dizer no berço e exige muito tempo, atenção e dedicação dos pais, principalmente quanto aos próprios sentimentos, condicionamentos e comportamentos com relação aos filhos. Portanto se desejamos que nossos filhos sejam jovens autônomos na adolescência, que saibam se virar sozinhos, viajar, se comunicar, se defender, ter senso crítico, entre outros, precisamos pensar nisso logo nos primeiros anos de vida deles.

 

Crianças precisam ter estímulos que desenvolvam suas capacidades (Psicológica, física, motora). Mas normalmente protegemos tanto nossos pequenos que não percebemos ou propositalmente ignoramos que alguns erros, tombos, arranhões ou sustos são necessários para o seu desenvolvimento.

 

Precisamos sair do “modo automático de ação” e partir para a reflexão e foi isso que este vídeo me trouxe, a oportunidade de refletir sobre o que estou fazendo com a responsabilidade a mim conferida e pensar se estou criando guerreiras ou apenas formando mais teleguiados pela sociedade por falta de senso crítico, amor próprio, autoconhecimento, autonomia e resiliência (assuntos estes discutidos em textos anteriores).

 

Não é um trabalho difícil dar autonomia aos filhos e qualquer exemplo citado pode ser encontrado em sites, livros ou revistas cujo enfoque seja a criança e ou a infância. Mas não nos enganemos achando que criar guerreiros é apenas distribuir tarefas de acordo com a idade das crianças. Para criarmos guerreiros precisamos iniciar uma profunda mudança em nós mesmos, em nossas ações, em nossos sentimentos, conceitos e preconceitos, valores e crenças.  O difícil mesmo é encontrar dentro de nós a força, a coragem e o ânimo para ir além destas ações e identificar a forma mais eficaz, porém não menos amorosa, de formar cidadãos capazes de enfrentar a vida.

 

O QUE EU COMPREENDI VENDO ESTE VÍDEO:

  • As crianças podem e devem fazer coisas por si mesmas - Fiquei pensando nas diversas vezes que revirei os olhos impaciente com a demora das meninas em amarrar os próprios tênis e em como vibrei com elas quando alcançaram o sucesso na tarefa. Mais que isso, ‘vivo’ de orgulho ao perceber que ambas me ‘colocam em meu lugar’ se negando a aceitar quando ofereço ajuda - na egoística intenção de agilizar o processo e facilitar MINHA vida.

Fiquei também imaginando os pais que ignoram essa veia independente dos filhos e os obrigam a receber essa ajuda, que consiste, na verdade, em fazer por eles (eu mesma já fiz isso quando estava atrasada). Mas porque, sabendo do tempo que amarrar os próprios sapatos pode levar, nesta idade, não iniciamos o processo com antecedência para que não tenhamos, devido ao atraso, de fazer a tarefa por eles e assim eles possam saborear o tão almejado gostinho do sucesso e não precisem experimentar o terrível sentimento de: ‘Mamãe está fazendo porque eu não sou capaz, porque sou lento ou porque isso não é tarefa pra mim’.

  • As crianças se sentem importantes quando recebem tarefas - Desde que sejam apropriadas e de acordo com a idade, distribuir tarefas ajuda as crianças a aprenderem a ser mais responsáveis e se sentirem mais úteis.

 Há alguns dias decidi forrar uma caixa de papelão com ‘contact’ para guardar as coisas da nossa mais nova moradora, a Bela, nossa Yorkshire de 2 meses. Minha primeira intenção foi fazer isso longe das meninas porque, quem já manuseou papel contact sabe que ‘não é de Deus’ quando aquilo embola ou forma bolhas, mas depois de ver o vídeo pensei: Como vou saber quais são as potencialidades delas

 

se sempre decido o que elas são ou não capazes de fazer-geralmente pautada em minhas próprias limitações?

Para minha grata surpresa, passado os primeiros momentos de tensão, após se acostumarem com o papel, uma delas se revelou muito melhor que o esperado e a outra, apesar do bom desempenho, demonstrou ter tanta paciência e habilidade  quanto eu com o papel, ou seja nenhuma ( rsrsr).

E no final das contas a Belinha tem uma caixa linda, forrada por nós três, para guardar seus pertences e as meninas se sentem as criaturas mais importantes do mundo por terem ‘feito’ a caixa da Belinha. 

 

                                                                                     Caixa da Belinha

 

  • É importante permitir que eles cometam erros - E quando o fizerem é interessante mostrarmos empatia, deixando claro que nós adultos também erramos e se pudermos evitar a tentação de dizer-lhes “eu te avisei”, mas ao contrário deixá-los saber que eles terão outras oportunidades para praticar e para conseguir fazer melhor e para tanto é imprescindível modelarmos nosso comportamento e ficarmos atentos em como agimos e falamos porque eles fatalmente vão repetir nossos atos e palavras, gestos, ações e omissões.

  • As limitações são criadas por nos mesmos – O que aprendi com essa mãe é que somos nós quem criamos nossas próprias limitações e consequentemente limitamos nossos filhos ao que nossas lentes alcançam.

Acreditamos que eles não podem porque nós mesmos não podemos, ou não pudemos na idade deles, ou porque foi dito que é assim. Estou certa de que alguns podem ter visto essa mãe como desumana, eu a enxerguei como uma GUERREIRA conduzindo um GUERREIRO capaz de sobreviver apesar das adversidades, capaz de executar tarefas que muitos de nós negamos aos nossos filhos que enxergam. Ou seja, enquanto essa mãe cria seu filho, deficiente visual, como se enxergasse, muitos de nós criamos nossos filhos, sem nenhuma deficiência, como se fossem cegos, surdos ou mudos.

  • Aprendi, sobretudo a ver a escada, bicho papão para a maioria das mães, com outros olhos, pois compreendi que o que dificulta às minhas filhas subirem ou descerem sou eu e não os degraus, porque com a  'Graças de Deus' elas podem enxergar e se eu ensinar a importância e a necessidade de tomar cuidado - que por sinal não se aplicam apenas a elas - a tarefa poderá ser executada por elas tão bem, ou melhor, do que é feita por mim.

 

E que nesse processo de ‘Empoderamento’, não nos esqueçamos de, com muito amor, ensinar valores básicos, porém necessários e importantes para o desenvolvimento do caráter da criança como ser humano.

 

 

 

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